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Pedagogo e professor pesquisador. Atuo na Educação Infantil da Prefeitura do Município de São Paulo.Publico artigos da educação na Revista Direcional Educador. Paticipei do Programa de Qualificação em Língua Portuguesa em Timor Leste no ano de 2009/2010 pela CAPES-MEC.

sábado, 21 de maio de 2011

PROFESSORA COM "P" MAIÚSCULO


Caros amigos

          Retomando o trabalho de produção e divulgação de informações neste blog,  não poderia ser mais oportuno recomeçar esta etapa sem trazer à luz do debate a provocação explicitada neste vídeo pela Professora Amanda Gurgel do Estado do Rio Grande do Norte.

Em uma audiência pública sobre o cenário da educação do Estado do Rio Grande do Norte com a presença de deputados e da própria secretária de educação, esta ilustre Professora nos dá uma lição de cidadania.

Usando do direito democrático que lhe confere, denuncia publicamente o descaso do poder público de seu Estado com o trato aos profissionais de educação e defende com muita lucidez o que falta em nossos políticos quando decidem sobre as políticas públicas.

Não é preciso esmiuçar o contexto em que a cena se passa, mais que atual, ela aviva nossa memória de anos, digo em letras garrafais: ANOS DE ESPERA E ESPERANÇA DE DIAS MELHORES PARA OS PROFISSIONAIS DE EDUCAÇÃO DESTE PAÍS, lembra-nos das incontáveis greves e paralisações por melhores condições de trabalho, salário e dignidade.

Manifestações legitimadas pela constituição federal, muitas vezes sufocada com truculência da força do aparato de segurança dos poderes executivos, desacreditada pela opinião pública e maldosamente manipulada pela mídia.

É neste sentimento de baixa auto estima que situo o panorama dos profissionais da educação pública socialmente construída, ou destruída, que coloca o professor e a professora como vilões do precário desenvolvimento da aprendizagem e insucesso da escolaridade dos alunos.

Não é um discurso isolado nem regionalista, é um discurso nacional, que ecoa em todos os cantos da federação e traduz o sentimento que nós profissionais temos dos nossos políticos e legisladores.

A fala e os argumentos da Professora Amanda Gurgel, e digo Professora com “P” maiúsculo, reflete a mesa angústia, dificuldade, carência, desejo e frustração que qualquer um de nós, no exercício da profissão está submetido.   

Tomando como exemplo sua fala percebo que esta cabe em qualquer plenária de discussão de projetos e leis da educação nas câmaras de vereadores ou assembléias legislativas de qualquer Município ou Estado brasileiro.

Após a promulgação do piso nacional de salário para o professor, Lei 11738, decretada pelo governo federal em 2008 e considerada constitucional pelo Supremo Tribunal em abril de 2010, vários Municípios e Estados recorrem da citada Lei alegando incapacidade financeira para arcar com a proposta de balizamento dos salários dos seus professores aos patamares estabelecidos, ou seja, R$ 1.187,97 por 40 horas semanais de jornada docente. Não muito além do que mostrou a Professora Amanda Gurgel em seu holerite.  

O que presenciamos, vergonhosamente, não é novidade com as manobras que concretizam aumento de salários e subsídios de gabinete de políticos mais facilmente do que cumprir a lei, ou as incontáveis promessas de melhoria do salário da categoria dos profissionais de educação traduzidas em GRATIFICAÇÕES, BONIFICAÇÕES E PRÊMIOS.

          Igualmente, estes mesmos legisladores não são eficientes e sinceros com a opinião pública na transparência da aplicação das verbas destinadas à educação chegando ao extremo de alguns municípios devolverem recursos do FUNDEB ao governo federal por incapacidade ou improbidade na gestão.

          Qual terá sido a proposta de campanha destes que hoje ocupam os cargos executivos e legislativos nos Municípios e Estados? Alguém lembra?

O que acontece na vida política do país após o fechamento do pleito é o que temos de herança das velhas oligarquias: Pão e circo antes, migalhas e descaso depois.

Meus cumprimentos a esta brava Professora que não se intimida em denunciar o caos em que se encontra a docência do ensino público em seu Estado e no país.

Se abrirmos as páginas de um jornal qualquer para concursos constataremos editais para ingresso de cargos administrativos e burocráticos nos órgãos públicos, exigindo formação superior com substanciosos salários,  comparados aos salários oferecidos no mesmo jornal em editais destinados aos cargos de professores, cuja formação dos candidatos, em muitos casos, superam a formação de mestrado.

Isto, em parte, explica o fenômeno da migração de profissionais da educação para outras esferas de atuação profissional pela necessidade de sobrevivência e pela sedutora atração custo benefício.

Espero que a educação não sofra do mesmo mal que abate sobre o sacerdócio e o ingresso de novas missionárias nos quadros da igreja. Quem hoje quer ser padre? Quem hoje quer ser freira? Eu não quero fazer essa pergunta para o caso dos professores!

Oxalá, que ela contamine outros a fazerem o mesmo: sair da toca, mexer o traseiro, botar a boca no trombone, apontar o dedo em riste na cara dos maus legisladores, dar a cara à tapa sem medo de ser julgada, mal interpretada ou receber críticas dos que alimentam inverdades, difamam, mentem, ludibriam e manipulam a opinião pública.

Viva a Professora Amanda Gurgel!

Ela merece reconhecimento pela coragem, sensatez e exemplo de cidadania.

Vladimir Petcov
Pedagogo - Professor Pesquisador
vladimirpetcov@hotmail.com
vladimirpetcov@yahoo.com.br
www.horadoparque.blogspot.com
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segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Se bater resolvesse...












PALMADA X PALMATÓRIA

Carta para amiga Dalva Franco

Prezada amiga

Estou acompanhando a polêmica sobre o Projeto de Lei 2.654/03, emenda ao ECA,  conta a aplicação das chamadas palmadas dos adultos, como meio de coibir comportamentos indesejáveis em crianças e adolescentes, pelos boletins tão prestativos e permanentes do amigo Enéas.
É lamentável que políticos e notáveis venham à mídia para defender “uma palmadinha, que educa”.
Aqui em Timor Leste a coisa é mais séria, não temos palmada, temos palmatória.
Institucionalizada, enraizada na prática pedagógica, herança da educação luso católica.
Discutir o tema é difícil com os professores, justificam eles que: “Com o número de alunos que temos em sala de aula é impossível mantê-los disciplinados e atentos para aprender”.
Sim, algumas escolas da montanha o número de professores é insuficiente e desproporcional às necessidades da demanda de crianças que ingressam no sistema. 
Gente se faz com mais facilidade e rapidez do que construir escola e formar professores.
A palmatória é o meio que estes pobres professores encontram para mostrarem quem manda em sala de aula.
Se no Brasil reclamamos que salas de alfabetização das séries iniciais com 40 alunos é um crime, indo contra nossos princípios de dignidade do exercício da profissão, aqui em Timor Leste temos salas com 50, 70 e até 100 alunos para um único professor.
Há situações que colocam o professor em verdadeiro desespero na atuação profissional. Como por exemplo a falta de um colega que terá sua turma distribuída para os demais, e não é justo dispensar uma criança que leva em média 30 minutos a 1 hora de caminhada pela montanha para chegar a escola.
Isto, 100 alunos de séries iniciais para um professor, leigo e despreparado para mudar algo na educação dessas crianças.
Não defendo a palmatória, apenas apresento aos leitores o quanto é difícil tirar da prática escolar algo que já é cultural.
Os pais apóiam, os professores agem mesmo sabendo que é errado mas concordam com a prática, foram educados assim. Pouco conseguiremos mudar na formação destes professores, eles também são impotentes como nossos pais, mães e professores do Brasil que defendem a palmada como meio de educar e impor respeito. Quantas vezes já não houvimos professores, graduados em nível superior dizer: "Esse(a) aí tá precisando que os pais dêem umas belas palmadas pra aprender a respeitar os adultos, é falta de apanhar", e pais dizendo aos professores: "Pode castigar professor(a) que esse(a) aí é triste, não obedece e não tem respeito, se der trabalho senta a peia, põe de castigo e me fala que depois em casa agente acerta!". Eu, nos meus vinte e quatro anos de magistério, já ouvi de colegas e de pais umas tantas vezes. 
O problema é do governo sim em mudar costumes arraigados na cultura, que não deveriam nos acompanhar nessa época que estamos mudando o país, adquirindo auto confiança, respeito dos parceiros internacionais,  aprendendo com os erros, vislumbrando um futuro de nação que tem muito a ensinar a outras.
Deste trabalho tiro uma lição: O Brasil ainda engatinha na questão de cooperação internacional. Não percebe as diferenças culturais contidas nos conteúdos dos materiais didáticos do Programa destoando da cultura local, somado a dificuldade de domínio da língua portuguesa.
O que precisamos é nos desdobrar na militância , não fugir ao debate, rebater veementemente aqueles que se valem da incapacidade e impotência de compreender a humanidade. Defendendo o direito da criança viver sem coação do adulto é obrigação moral e ética de todo profissional que pretenda se manter na esfera da educação.
Quem defende a palmada são os agessores, que substancialmnte precisam de uma atitude brutal e covarde para se impor perante a criança. Não sabem o valor de um NÃO. Quando crianças foram agredidos e não precisa ser muito inteligente para perceber que o comportamento recebido se repete na vida adulta. Acreditam que isto é normal, e desejariam a institucionalização da palmada, reguada, beliscada, puxão de orelha, chacoalhão, empurrão ou tapa na cabeça e no rosto, do banco e do chapéu de burro, do castigo no canto da sala virado pra parede, ajoelhar no milho ou em tampinhas de garrafa para educar crianças dentro dos muros das nossas escolas. Professor e pais não têm que ter autoridade, mas sim perversidade!
Porque assim, enterraremos o ECA,  os direitos de proteção à mulher e ao idoso que já foram conquistados. Queimaremos em praça toda literatura que mencione o respeito a dignidade humana. Deixaremos de caminhar para frente e retroceder à idade média?
Deixaremos de apostar em nossa capacidade para o diálogo, entendimento, convivência pacífica?
Deixaremos de ser pais e professores amorosos e que respeitam nossos filhos e alunos para tornarmos os pregadores do medo e da indiferença com o próximo?
É assim estaremos preparando-os para a vida?
Timor Leste, a mais jovem nação do mundo, independente há 8 anos,mantendo tradições dos tempos de colônia.
Brasil, o país emergente do séc. XXI, 188 anos de independência, modernizando as mesmas tradições dos tempos de colônia.
Afinal, temos as mesmas matrizes luso católicas em nossas histórias.

Um forte abraço

Vladimir Petcov
Pedagogo e professor pesquisador
Professor Formador do Programa PROFEP Timor - MEC/CAPES Brasil
Dili - Timor Leste